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Artigos do Pe. XIKO
Vocês não podem servir a Deus ao dinheiro
Autor: Pe. Xiko
05 de Março de 2010

Junto com o tempo especial de preparação para a Páscoa do Senhor, a que chamamos de quaresma, iniciamos também a Campanha da Fraternidade que nos traz o desafiador tema “Economia e Vida”.

Neste ano a Campanha é ecumênica, isto é, promovida em conjunto com as igrejas membros do Conic, Igreja Evangélica de Confissão  Luterana no Brasil, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Siran Ortodoxa de Antioquia e a Igreja Católica Apostólica Romana.

O lema que nos foi proposto é tirado do evangelho de Mateus 4,26, onde nos diz: “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.

A campanha da Fraternidade tem um objetivo claro de conscientização, de ajuda para que realmente sejamos livres, para que de fato ocupemos nosso verdadeiro lugar e usemos os bens materiais dentro do seu verdadeiro sentido.

Para isso, creio serem necessárias algumas observações preliminares. É certo que não se trata de ver a economia, a riqueza, o dinheiro como um mal. Também não se trata de contrapor Deus como um bem e o dinheiro como um mal. Deus realmente é um bem e Bem Supremo, mas o dinheiro também é um bem, mas bem material, portanto relativo. Tanto é verdade que dizemos bens materiais, fazemos declaração de bens materiais, e nunca dizemos declaração de males. Portanto, casa, terra, carro, dinheiro são bens.

Então, onde estaria o problema? O que quer a Campanha da Fraternidade?

A Campanha da Fraternidade deseja e nos convida a relativizar os bens materiais, a não fazer deles o centro de nossa vida, a não tomá-los como absolutos, e mais, a não usá-los como fins, e sim como meios, como caminhos de comunhão.

A Campanha da Fraternidade quer nos ajudar a refletir que os bens têm uma destinação ao bem comum, por isso eles devem gerar solidariedade, vida e jamais escravidão, nem para aqueles que os possuem, nem para os seus semelhantes.

A Campanha da Fraternidade vai mais além: vem nos alertar para o perigo da cultura de hoje que prioriza o consumismo desenfreado, o consumismo sem limites, muitas vezes comprometendo a sustentabilidade, pondo em risco a paz. O lucro é necessário, é um contrassenso e até ignorância trabalhar sem querer lucro, mas o lucro jamais poderá ser às custas da vida, da dignidade  da pessoa humana.

Sim, é verdade, não podemos servir a Deus e ao dinheiro. Seremos servidores do dinheiro se fizermos dos bens materiais o fim principal de todo o nosso trabalho e de nossa vida. Seremos seus servidores se nos fizermos seus escravos, quando, na verdade, são os bens materiais que devem servir de meios para desenvolvermos a fraternidade, o bem comum, a solidariedade.

A Campanha da Fraternidade nos propõe essa reflexão, muito oportuna por sinal, para tomarmos consciência de que a economia pode gerar uma sociedade justa, solidária, de paz ou pode nos levar a construir uma sociedade tão desigual e desumana que gere morte, escravidão, violência e desrespeito à dignidade humana.

Por fim, a Campanha da Fraternidade nos faz um grande alerta, um grande convite para não cairmos na  tentação do egoísmo e, ao mesmo tempo,  é um forte clamor para que desenvolvamos a cultura da solidariedade, não pela esmola e concessões, mas pela consciência da dignidade da pessoa humana.