A festa do Natal de Jesus foi a grande, a maior notícia de todos os tempos vinda a esta terra e vinda para todas as pessoas, aliás, foi, ao mesmo tempo, o mais misterioso e comprometedor acontecimento diante do qual ninguém conseguiu ou conseguirá ficar indiferente.
Nasceu uma criança que será o divisor de águas entre o bem e mal. Será sinal de contradição, mas, sobretudo, será o sinal da esperança para todas as pessoas de boa vontade, para todos os que têm o coração aberto, para todos os que desejam uma vida nova e um mundo novo.
Lembremos o que diz o profeta Isaias (9,1-3): “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; para os que habitam nas sombras da morte, uma luz brilhou, resplandeceu”. E o profeta comenta, referindo-se ao acontecimento: “fizeste crescer a alegria, aumentar a felicidade”. Ele mostra as razões desse regozijo, dizendo que agora é tempo de queimar todas as roupas manchadas de sangue, isto é, sugerindo um novo modo de relacionamento de vida. Propõe o abandono das atitudes de guerra, de ódio, de prepotência e dominação, porque um novo espírito chegou ao mundo: o espírito de amor, de fraternidade, de perdão e entendimento.
Também o Evangelho de Lucas (2,10), através das palavras do anjo, apresenta-nos razões para entendermos que uma nova era realmente se inicia: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria que será para todo o povo: hoje na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um recém-nascido envolto em panos e deitado numa manjedoura”.
É essa a grande notícia que realmente desejamos festejar. O Natal deveria ser a inauguração de um novo tempo, de uma nova era, de um novo modo de viver e conviver, em que o amor deveria sempre ter prioridade.
Caros leitores, também eu gostaria de, como o anjo, passar de casa em casa, levando essa grande notícia hoje: aquele Menino, que outrora nasceu na cidade de Davi quer, de novo, renascer, agora, em cada uma de nossas casas, de nossas famílias, de nossas vidas.
Gostaria de ir a todas as casas e dizer bem alto que não tenham medo, que não tenham medo deste mundo, desta sociedade relativista porque chegou a Verdade, chegou a Vida, chegou o Caminho da paz, chegou a Paz!
Sim, gostaria de peregrinar por todas as casas e levar, de novo, esta grande notícia: temos entre nós o Salvador, Aquele que nos pode dar paz, Aquele que realmente é capaz de nos devolver a verdadeira alegria.
Gostaria, sim, de passar em todos os lares cantando como fizeram os pastores, glória a Deus no céu e paz na terra às pessoas amadas por Deus, que somos todos nós.
Como não posso fazer isso, passarei em pensamento, em sentimento de comunhão. Desejarei, no íntimo do meu coração, a cada família e a cada um em particular que levantem o ânimo, que queimem todas as vestes manchadas de sangue, destruam todas as botas da opressão, que ponham a vestimenta da Paz, que calcem as sandálias da fraternidade, da solidariedade e do amor porque é Natal!
Feliz, abençoado Natal!